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Alguém já pensou na segurança de Ana Gomes?

por Um Gajo Na Merda, em 23.01.20

De uma opinião geral, creio que estamos todos de acordo: Ana Gomes é dotada de uma coragem admirável. Contudo, será que não estará a correr sérios riscos de segurança?

Vejo plateia a bater palmas a cada entrevista da ex-eurodeputada Ana Gomes, e eu próprio tenho sentido uma admirável simpática pela bravura com que se bate a tentar combater a corrupção, colocando nomes na praça pública, expondo sem rodeios aquilo que pensa com partidos políticos à mistura. Porém, tem-me passado pela cabeça inúmeras vezes que neste momento estará também a colocar-se em risco de receber represálias, ameaças e outro tipo de coisas que geralmente fazem para calar aqueles que começam a incomodar. 

Os relatos de que em Portugal há formas de silenciar quem se estica são imensos, desde a estação pública até à imprensa escrita privada. Os jornalistas fazem questão de demonstrar que por vezes são intimidados, quer de chefias, quer de acionistas dos grupos em que estão envolvidos. Mas, no que toca a ex-deputados, é um pouco desconhecido o que geralmente acontece a quem se atreve a expor-se e a expor quem prejudica ou prejudicou o país. 

Com a mais recente notícia da morte do gestor de contas de Isabel dos Santos, (embora ainda se desconheçam as causas), Ana Gomes precisará com toda a certeza de segurança apertada. 

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publicado às 11:56

Nunca tive problemas com a polícia

por Um Gajo Na Merda, em 22.01.20

Talvez por ser branco, ou por ser privilegiado, nunca tive problemas com a força da autoridade. Quer GNR, PSP, ou outras, nunca tive qualquer razão de queixa do serviço prestado ou da forma como me abordaram.

Fui mandado parar por duas vezes em operações STOP. Em ambas, fui sempre tratado com respeito, com serenidade e sem qualquer tipo de arrogância. Já tive de contactar a polícia por causa de danos feitos na minha viatura, e apesar de não ter conseguido descobrir quem tinha sido o autor da minha desgraça, a verdade é que a participação foi feita com eficácia. Já pedi informações a polícias de rua, que estavam simplesmente a moderar o centro das cidades, e sempre fui tratado com respeito e seriedade.

Com estes pequenos casos, quero com isto dizer que a polícia também merece o nosso respeito, e do outro lado da barricada, estão também homens e mulheres, pais e mães, maridos e esposas. Há do outro lado claro sinais de fragilidade, quer financeira, quer política, quer de opinião pública. A polícia serve para nos defender, para nos salvaguardar, para nos ajudar. Haverá com certeza polícias incríveis, dotados de uma sensibilidade fantástica. Mas também será de todo ingénuo pensar que não há polícias ruins, polícias que tiveram um dia mau, polícias que estão de tal como saturados da fragilidade em que a classe se encontra que não conseguem mais moderar aquilo que deveria ser temperado e moderado.

Ultimamente têm surgido inúmeros casos de más prestações de polícias, mas convém que se esclareça que são claramente casos isolados, e que apesar de tudo qualquer prestação violenta, pouco eficaz ou mais ou menos arrogante, isso não representa de todo o trabalho da polícia em Portugal.

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publicado às 12:39

Orgulho em ser português?

por Um Gajo Na Merda, em 21.01.20

Nunca senti verdadeiramente um orgulho magistral em dizer que sou português ou em ser português. Ser português, foi pura obra do destino, de estar em território nacional, e de ter tido pais portugueses. Portanto, creio que de uma maneira geral, qualquer cidadão oriundo de qualquer país, poderá à partida sentir algum orgulho em dizer que é do país X, mesmo sem ter contribuído com qualquer coisa para o ter feito. Ser cidadão de um país, não é difícil. Não há mérito. 

Posto isto, neste momento não sei sequer se devo dizer com algum ênfase que sou português. Com as notícias que se têm vindo a espalhar pelo mundo, de que Portugal conviveu de perto e consentiu alguns dos esquemas estranhos que alegadamente a família Dos Santos fez.

Sinto mesmo que dizer que sou português com um sorriso na cara poderá deixar algumas pessoas de outras nacionalidades um pouco de pé atrás quanto às minhas intenções. Portugal esteve envolvido alegadamente numa série de lavagens de dinheiro de origem angolana, país esse que vive de forma miserável, onde a taxa de morte infantil é enorme. 

Há também um sentimento que me corrói por dentro. Não sei se depois desta revelação, através de leaks, se viu conseguir consumir da mesma forma que consumia das empresas referenciadas como próximas de Isabel dos Santos. E são tantas... 

Avizinham-se dias difíceis, com dilemas morais que me vai fazer pensar seriamente como devo proceder. Por enquanto, se calhar o melhor seja mesmo aguardar. Mas sem grande prazer com o que alegadamente se passou e ainda se passa em Portugal.  

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publicado às 11:17

Tenho muitas dúvidas no tempo das certezas

por Um Gajo Na Merda, em 20.01.20

Tenho dado por mim e tenho me sentido sozinho neste grande período de certezas. As redes proliferam a certezas absolutas. Os cronistas estão cada vez mais certeiros e menos propícios a erros (mesmo que estejam redondamente errados).

Continuo a ver que há quem faça quase campanha com uma suposta presença da extrema direita em Portugal, afirmando e muitas vezes lançando para o ar que os extremistas de direita abundam pelo país, pelas esquinas, pelas redes sociais, por todo o lado. Chega a ser cansativo só de imaginar, mas chego à conclusão que há quem faça vida já disso, escrevendo sobre o "papão" da extrema direita todas as semanas.

Há também quem afirme que a deputada Joacine Katar Moreira sempre demonstrou aquilo que iria ser, mesmo sem ter demonstrando durante a sua campanha nas Legislativas que estava contra os representantes do seu partido. Aliás, chega a ser até meio perturbador estar num sítio e perguntar o que é que lhe aconteceu para estar de tal forma chateada com o seu partido ao ponto de utilizar a palavra vergonha e mentira várias vezes contra os órgãos direitos do Livre.

Mais: há também uma onda enorme que de repente se formou em redor de Isabel dos Santos. De repente, todos os portugueses sabiam dos alegados esquemas da angolana e que só não agiram e só não meteram as suas certezas todas cá para fora porque... Não se sabe bem. Mas nunca houve dúvidas disso.

Estou um bocado sozinho nisto. Sinto que tenho cada vez mais dúvidas e tenho de pensar cada vez mais antes de mandar seja o que for cá para fora, até mesmo para perguntar seja o que for.

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publicado às 17:55

Depois da corrente fascinante, “se está na Internet é porque é verdade”, há agora uma nova corrente igualmente fantástica que se chama “se está num documentário da Netflix, é porque é verdade”.

Não ponho em causa a veracidade nem tão pouco a autenticidade dos documentários jornalísticos, ou até mesmo a seriedade ou o largo investimento que é feito para que a qualidade do que é feito naquela plataforma seja de altíssimo rigor, e de soberbo calibre. Eu próprio sou um consumidor da plataforma Netflix, e sinto-me uma pessoa mais concretizada por já ter assistido a grandes serões de puro entretenimento e de riqueza pessoal, mas não posso ficar calado nem tão pouco me ausentar de criticar esta onda de puro fascínio e de massa critica.

O que se está a passar, seres pensantes? Agora tudo o que vocês vêem, acreditam? Há sempre várias visões de uma história. Ela pode ser contada de várias formas, de vários pontos de vista, e com várias intenções. Já para não referir que pode estar factualmente errada. Mas, o que me deixa mais surpreso é que há pouca gente a discutir a veracidade das coisas, e a não levantar outros pontos de vista perante o que acabou de ver. Isso é estranho.

De repente passou a ser recomendável ver todo o tipo de documentários que surjam pela frente, independentemente da qualidade jornalística e da investigação que se fez. E no fim, a palavra de ordem é simplesmente não questionar, e simplesmente acreditar, porque se está num documentário publicado por uma plataforma que investe milhões, é porque é verdadeiro.

Pensava que a fase do “se está na Internet é verdade”, estava simplesmente ultrapassada ou somente a ser utilizado pelos mais velhos, mas ao que parece essa frase neste momento sofreu uma mutação e neste momento só muda o sujeito, e é praticado também pelos mais novos.

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publicado às 11:56

Afinal, ainda se vê televisão em Portugal?

por Um Gajo Na Merda, em 12.03.19

Foi com algum espanto que acordei na manhã de segunda feira com opiniões de todos os modos e feitios, vindos de todos os lados, sobre a programação de Domingo à noite da televisão generalista. Que raio é que se passou afinal? Será que de repente houve programação interessante, e digna de ser comentada por toda a gente? Passou-me esse pensamento por breves momentos. Afinal não. 

 

Ora, num período onde impera a frase "os documentários da Netflix", ou até mesmo "as séries da Netflix", houve um grande período que me levou a pensar que afinal já ninguém via televisão em Portugal. Talvez os pobres seniores, coitados, fossem os únicos a dar audiências aos programas de qualidade magnifica da televisão portuguesa. 

 

Mas o que mais me deixa chateado nem é propriamente a opinião. O que me deixa mais chateado é que de repente veio por aí fora uma data de opiniões de gente que não vê televisão, mas que ficou chateado com o que passa na televisão. E isso, é brilhante, ou até mesmo incrível. A propósito, acho que dava um excelente documentário para a Netflix.

 

Mas pior só mesmo esta repulsa repentina da qualidade da programação da televisão generalista, que mantém o mesmo critério há pelo menos duas décadas. Será que a maioria dos portugueses ficou subitamente com amnésia? Isto deveria ser investigado. 

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publicado às 17:54

Apreciei Queen à frente do tempo

por Um Gajo Na Merda, em 09.11.18

Passei a minha adolescência toda a apreciar a magnífica obra dos Queen. Descobri o enorme talento de Freddie e companhia graças a uma passagem da rádio Renascença, há já mais de uma década desde então me tornei um enorme fã da banda. 

Queen foi a minha companhia durante a cruel adolescência. Fez-me reduzir preconceitos, aumentar a minha cultura e amadurecer. As letras dos Queen são muito mais do que hinos de estádios ou de que hits pop. 

A irreverência da banda sempre fez que estivessem à frente. Nunca foram pelo fácil ou pelo que seria garantido. Inovaram no som e nos espectáculos e isso na década de 70 e 80 é louvável e incrivelmente lunático. 

Hoje, sinto que estaria à frente do meu tempo quando apreciei e devorei toda a obra dos Queen. Graças ao filme Bohemian Rhapsody surgiu uma nova vaga de fãs da banda. Confesso até está a ser estranho ver tanta gente falar da banda e dos sucessos menos conhecidos. Sinto que passei demasiado tempo sozinho a apreciar o que poucos se arriscaram a ouvir. 

Queen será sempre a banda da minha vida. E neste momento sinto-me emocionado sempre que vejo adolescentes admirados com a sua obra, porque também foi parte do que eu fui, e do que hoje sou. 

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publicado às 10:00

Trabalhar ao Sábado – dia extra

por Um Gajo Na Merda, em 20.10.18

Confesso que durante vários anos fiz cara feia sempre que me era proposto trabalhar ao Sábado, depois de uma semana inteira de trabalho. Os motivos eram vários, desde a simples consciência de que algo falhou na empresa, e que alguém geriu mal, e isso iria acarretar mais custos, até à simples e legitimo sentimento de falta de liberdade para mais um dia de trabalho. E isto tudo, claro, ignorando completamente a oportunidade de ganhar um dia extra, a ser pago a 100%.

Hoje já não penso bem assim, embora ainda me custe um pouco, talvez a primeira hora de serviço. Habituei-me a pensar que para além de estar a ganhar algum dinheiro extra (que tanta falta faz ao final do mês), também estaria a ajudar a empresa, sobretudo nestes últimos meses do ano, onde a produção aumenta de forma explosiva.

Hoje será mais um dia de produção. Leitor de mp3 preparado, podcasts prontos, bateria cheia. Aqui vou eu para mais um Sábado.

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publicado às 11:54

E quando a falta de argumentos levam ao insulto?

por Um Gajo Na Merda, em 18.10.18

As discussões surgem naturalmente. É bom discutir. Trocas opinião, pontos de vista diferentes e boas argumentações, fazem muitas vezes fluir amizades.

Pessoalmente, gosto de discutir. Na Internet na gostei mais. O insulto gratuito quando existe falta de argumentos começa a ser padrão. Pior, só mesmo insinuações e acusações pessoais. A Internet actualmente dispõe de uma base de dados incrível, e tudo o que seja informação disponível pode ser adquirida em minutos. Então, porque é que se parte rapidamente para o insulto? Não deveríamos também ter evoluído nesse sentido? 

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publicado às 13:50

Adeus, Montserrat Caballé

por Um Gajo Na Merda, em 06.10.18

Não vou ser hipócrita: conheci Montserrat Caballé através do  desafio que Freddie Mercury fez à cantora de ópera em 1987. 

O álbum Barcelona foi durante alguns meses o meu predilecto da carreira a solo de Freddie. Hoje já não consigo compará-lo. Prefiro admirar por inteiro toda a obra do mítico vocalista dos Queen. 

Mas Montserrat Caballé mereceu desde logo a minha atenção, desde que ouvi pela primeira vez a bela cação Barcelona. Seguiu-se How Can I Go On, e fiquei rendido ao trabalho harmonioso que a cantora conseguia introduzir nas melodias cheias de alma de Freddie Mercury. A combinação foi perfeita. O álbum é magnífico. Todas as faixas são dotadas de uma incrível perfeição e combinação de talentos. 

Mais tarde conheci um pouco mais do encontro que juntou ambos. Deve de ter sido momentos fantásticos, que se fosse hoje, seriam certamente recordados através de documentários. Mas ficaram entre eles. No segredo de ambos, pelo menos aquilo que mais importou. 

Hoje o mundo da música perde mais uma excelente intérprete, e que marcou a história pela ausência de preconceito. O trabalho de ambos ficará na história e servirá de exemplo para os mais audazes. Até sempre, Montserrat Caballé. 

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publicado às 15:18


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