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Depois da corrente fascinante, “se está na Internet é porque é verdade”, há agora uma nova corrente igualmente fantástica que se chama “se está num documentário da Netflix, é porque é verdade”.

Não ponho em causa a veracidade nem tão pouco a autenticidade dos documentários jornalísticos, ou até mesmo a seriedade ou o largo investimento que é feito para que a qualidade do que é feito naquela plataforma seja de altíssimo rigor, e de soberbo calibre. Eu próprio sou um consumidor da plataforma Netflix, e sinto-me uma pessoa mais concretizada por já ter assistido a grandes serões de puro entretenimento e de riqueza pessoal, mas não posso ficar calado nem tão pouco me ausentar de criticar esta onda de puro fascínio e de massa critica.

O que se está a passar, seres pensantes? Agora tudo o que vocês vêem, acreditam? Há sempre várias visões de uma história. Ela pode ser contada de várias formas, de vários pontos de vista, e com várias intenções. Já para não referir que pode estar factualmente errada. Mas, o que me deixa mais surpreso é que há pouca gente a discutir a veracidade das coisas, e a não levantar outros pontos de vista perante o que acabou de ver. Isso é estranho.

De repente passou a ser recomendável ver todo o tipo de documentários que surjam pela frente, independentemente da qualidade jornalística e da investigação que se fez. E no fim, a palavra de ordem é simplesmente não questionar, e simplesmente acreditar, porque se está num documentário publicado por uma plataforma que investe milhões, é porque é verdadeiro.

Pensava que a fase do “se está na Internet é verdade”, estava simplesmente ultrapassada ou somente a ser utilizado pelos mais velhos, mas ao que parece essa frase neste momento sofreu uma mutação e neste momento só muda o sujeito, e é praticado também pelos mais novos.

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publicado às 11:56

Afinal, ainda se vê televisão em Portugal?

por Um Gajo Na Merda, em 12.03.19

Foi com algum espanto que acordei na manhã de segunda feira com opiniões de todos os modos e feitios, vindos de todos os lados, sobre a programação de Domingo à noite da televisão generalista. Que raio é que se passou afinal? Será que de repente houve programação interessante, e digna de ser comentada por toda a gente? Passou-me esse pensamento por breves momentos. Afinal não. 

 

Ora, num período onde impera a frase "os documentários da Netflix", ou até mesmo "as séries da Netflix", houve um grande período que me levou a pensar que afinal já ninguém via televisão em Portugal. Talvez os pobres seniores, coitados, fossem os únicos a dar audiências aos programas de qualidade magnifica da televisão portuguesa. 

 

Mas o que mais me deixa chateado nem é propriamente a opinião. O que me deixa mais chateado é que de repente veio por aí fora uma data de opiniões de gente que não vê televisão, mas que ficou chateado com o que passa na televisão. E isso, é brilhante, ou até mesmo incrível. A propósito, acho que dava um excelente documentário para a Netflix.

 

Mas pior só mesmo esta repulsa repentina da qualidade da programação da televisão generalista, que mantém o mesmo critério há pelo menos duas décadas. Será que a maioria dos portugueses ficou subitamente com amnésia? Isto deveria ser investigado. 

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publicado às 17:54


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